domingo, 4 de abril de 2010

Conheço uma senhora, uma velhinha, que, sendo grande admiradora de pessoas "estudadas", e não tendo instrução alguma (logo, todo idiota que fale com convicção é, aos seus olhos, um "estudado"), se agarra à primeira regrinha generalizante que lhe é ensinada, em detrimento dos problemas concretos que surjam. Na tv, um médico disse que devem ser ingeridos "n" copos de água por dia --a velhinha conta cada copo de água que bebe e, num dia frio e ocioso, a toda hora repete: "Faltam n-1"; "Faltam n-2"; "Ufa! Agora só faltam n-5". Décadas atrás alguém lhe disse que os homens são férteis a partir dos quatorze anos, e hoje, se ela ouve a notícia de que um menino de treze anos vai ser pai, grita, nervosa, que é mentira, pois os homens só podem ser pais a partir da idade de quatorze anos. Se alguém lhe tentasse ensinar a usar os números complexos, ela certamente se consideraria gravemente ofendida, pois sabe, a professorinha do primário ensinou!, que não existe raiz de -1.

Ensinaram-lhe regrinhas, generalizações, induções que ignoravam os eventos que as contrariassem. Não lhe ensinaram que aquelas regrinhas se aplicavam somente em certas condições, e eram desprovidas de sentido em outras.