domingo, 4 de abril de 2010

Marquei de receber duas pessoas justamente no horário em que saio para almoçar –elas tinham hora marcada em outro lugar, por isso concordei em adiar um pouquinho meu almoço. Avisei que não almoçaria com os colegas hoje, mas responderam-me, em tom de conselho, que somos nós que marcamos o horário e não é problema nosso se alguém não pode chegar a tempo; ainda assim, fiquei aguardando e só saí para almoçar depois de tudo terminado.

Pois bem, enquanto caminhava para o restaurante, vi uma nota de vinte reais cair do bolso de uma senhora que andava alguns metros à minha frente. Tentei chamá-la, mas minha voz é baixa e a mulher devia ter a atenção centrada em algum outro objeto, por isso não fui ouvido. Peguei o dinheiro, corri até ela, toquei em seu ombro e disse que aquilo havia caído no chão. Como resposta, recebi um grito de: “Mas que merda!”.

Sem nenhum interesse em receber efusivas manifestações de surpresa ou contentamento no meio da rua, passei por ela e continuei andando, só olhando para trás quando escutei a mulher, já longe, gritar um “obrigada”. Antes do agradecimento, pude ouvi-la explicar, em voz bastante alta, a alguém que indagou sobre o ocorrido: “Ele viu vinte reais caírem do meu bolso e me devolveu”.

Algumas dezenas de metros à frente, encontrei meus dois colegas que voltavam do almoço e parei um instante para cumprimentá-los. A mulher, lá atrás, viu –e quando cruzou com eles também lhes contou, entusiasmada, o ocorrido, destacando que nunca havia visto tamanha honestidade (!!!!).
As mulheres são sempre exageradas, mas tenho outra história do mesmo gênero que confirma e nega as palavras dela: semanas atrás o rapaz da xérox (que ganha bem pouco) encontrou quinhentos reais dentro do prédio. Avisou a chefe dele, a gerente da empresa terceirizada responsável pela reprografia, que disse que ele fizesse o que achasse melhor, afinal fora ele quem achara o dinheiro. Pois bem, o rapaz levou o dinheiro aos serviços gerais, que mandou publicar um aviso na intranet de que fora encontrada uma quantia nas dependências da empresa. Como um dia depois da publicação da notícia ninguém reclamasse o valor, o gerente dos serviços gerais mandou levantarem a relação de todos os visitantes do prédio no dia do achado, a fim de ligar para cada um deles e perguntar se havia perdido algo lá. Antes, no entanto, uma funcionária do dono do dinheiro comentou com ele sobre o anúncio da intranet, destacando a honestidade de quem havia encontrado –o dono, que até então nem sequer abrira a intranet, logo contou que havia perdido cinco notas de cem reais presas num clipe de papel, e afirmou que a ninguém nada dissera porque não imaginou que a perda tivesse ocorrido ali.

Pois bem, encontrado estava o dono, que em recompensa deu cem reais ao rapaz da xérox. Sabendo dessa história, dois colegas (nenhum daqueles com quem almoço, frise-se; note-se também que se tratava de um homem e uma mulher) disseram que não devolveriam, que o rapaz “perdeu quatrocentos reais”.