domingo, 4 de abril de 2010

Nunca entendo como alguém pode pedir perdão a outro sem acreditar que precisa receber o perdão, ao contrário, convencido de que seu pedido é expressão de sua superioridade; que, embora não se tenha em cometido falta alguma, consola-se o outro, pobre diabo que permaneceria desviado do Bem se não ouvisse uma palavra. Qualquer um que analise a vida com atenção encontrará milhares de motivos para pedir o perdão alheio.

Magoar-se é uma tolice. Nenhuma ofensa que nos seja feita é capaz de abalar o céu, provocar tremores na terra ou secar o mar. No entanto, que grande distância há entre quem, por uma palavra, dispõe-se a apagar todas as suas mágoas, e quem acredita jamais ter magoado, e se vê um gigante porque se digna a dirigir a outro uma palavra.

É preciso ter as manifestações externas e as intenções ordenadas entre si e com o fim último. Se uma é oposta à outra, uma delas está desordenada.