sábado, 21 de julho de 2012

"Limitar-me-ei a perguntar a essas almas ambiciosas por que caminhos pretendem se distinguir. O do vício é vergonhoso; o da virtude, longo. De ordinário, a virtude não é muito ardilosa para conquistar o favor dos homens; e o vício, sempre preparado para a obra, é mais ativo, mais instante, mais pronto que a virtude, que não se desvia das regras, que só caminha a passos contados, que só progride com medida. Desta feita, estareis entediados de tamanha lentidão; a pouco e pouco, vossa virtude fraquejará, e após ela abandonará aquela regularidade primitiva, acomodando-se aos humores do mundo. Ah!, como seria sábio se renunciásseis duma vez por todas a ambição! Talvez ainda ela vos causasse alguma pequena aflição, mas sempre a compraríeis pelo preço justo, sendo-vos mais fácil suportá-la agora, que quando vos abandonáveis às delícias das honrarias e dignidades. Vivei contentes do que sois, e sobretudo que o desejo de obrar o bem não vos faça almejar uma condição mais subida."
Sermão sobre a Ambição, Jacques-Benigne Bossuet

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