terça-feira, 7 de maio de 2013

Ter compaixão de uma pessoa não é o mesmo que sentir pena dela. Cristo se compadece do homem, faz-se homem e padece nossas dores. Nós nos afastamos de Deus e caímos neste vale de lágrimas. Ele desce ao Jardim das Oliveiras para sentir conosco a nossa agonia, e mesmo vendo dormir indiferentes aqueles por quem sofria, não desiste, não os abandona, mas quer carregar a cruz que a eles e a nós cabia, até o ponto de poder também dizer: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?".

Assim também os amigos, os verdadeiros, suportam as dores uns dos outros, mesmo que às vezes tenham de sofrer indiferença ou rispidez de tratamento. Os amigos têm compaixão, sofrem junto,  tomam para si as angústias alheias, dividem o farto de males desta vida e o tornam mais leve para todos.

Diverso é aquele que tem pena: este vê do alto e se reconhece passível de sofrer os mesmos males; por um instante, lamenta o destino do outro por temer pelo seu próprio destino; em seguida, esquece. 

Um comentário:

  1. "Diverso é aquele que tem pena: este vê do alto e se reconhece passível de sofrer os mesmos males; por um instante, lamenta o destino do outro por temer pelo seu próprio destino; em seguida, esquece." Me fez lembrar uma passagem da obra de Tolstói.

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