terça-feira, 20 de agosto de 2013

Não lembro as palavras exatas, mas Frankl diz que o passado é o patrimônio mais seguro que temos, aquele que ninguém pode nos tirar. Eu antes acreditava nisso, mas agora sei que ele estava errado.

O passado pode mudar, pode se perder. Todos conhecemos os problemas de memória: o esquecimento, a confusão entre lembranças diferentes que situa os objetos em lugares e tempos errados, a imaginação que preenche os dados ausentes. Não são esses os problemas a que me refiro.

Há um flagelo que atinge a lembrança de modo muito pior: ele afeta a valoração que fazemos das coisas. Tudo ainda está lá, tudo é sabido, mas tem outro valor.

É uma verdadeira chaga, um câncer que se espalha pela memória e contamina tudo. Aquilo que era alegre, aqueles momentos de felicidade, transformam-se em uma repulsiva farsa. O que havia sido bom passa a repugnar.

O passado não está seguro. Basta um fato novo, uma explicação ou o clareamento das idéias para que tudo desmorone.

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