domingo, 20 de outubro de 2013

Estava aqui me perguntando por que algumas vidas não conseguem escapar de um círculo vicioso, por que os males se precipitam seguidamente sobre as mesmas pessoas, por que as vítimas tornam a ser vitimadas.

Ou há um defeito na própria realidade, Deus errou em algumas 'linhas' do 'software' do mundo e fez com que os raios caíssem sempre no mesmo lugar, ou há um defeito no personagem, que insiste em fazer de si mesmo um pára-raio.

A segunda resposta parece mais razoável: as vítimas se acostumam a essa condição e não aprendem com a experiência, não se movem, não se afastam, mas buscam cenários, personagens e histórias similares, e a desgraça novamente lhes atinge. Embora já o tenham padecido, continuam a acreditar que o mal não pode lhes sobrevir.

A própria lamentação é um atrator para o mal. Todos temos direito a nossa história, é certo, e não devemos esquecer aquilo que nos moldou. Mas a expressão, a exteriorização das más lembranças é como um perfume que atrai novos males.

O mal se repete porque a sua vítima se repete.

A fragilidade não inspirará a piedade no agressor, no explorador ou na natureza. Ao contrário, a fraqueza alheia é uma oportunidade para o agressor.  E entenda-se aqui 'agressor' no mais genérico sentido, como alguém que aproveita uma oportunidade para extrair de outro injustamente uma vantagem, sejam a injustiça e a vantagem de qualquer tamanho.

O homem quase sempre busca a sua comodidade, e uma das formas de obtê-la é colocar outros homens a seu serviço. Os mais fracos, os mais dependentes, serão os mais fáceis de explorar. Arrisco dizer que os mais propensos à vitimização são até mesmo um convite, uma tentação, para aqueles que não estão acostumados a explorar os outros, isto é, são tão 'boas oportunidades' que acabam por receber golpes até de onde menos poderiam esperar.

Para deixar de ser vítima é preciso romper com as próprias fraquezas, agir como se elas não existissem, não aparentá-las.

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