quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Interessante observar o senso de justiça: um empregador doméstico que não havia registrado a empregada, que a havia privado da proteção previdenciária, não lhe havia concedido férias nem pagado o 13º salário, teve contra si ajuizada uma ação trabalhista e, ao fazer um acordo sem reconhecimento de vínculo empregatício, lamentava-se dizendo que pagaria aquele valor acordado (as verbas rescisórias), mas a mágoa dele ninguém nunca iria conseguir pagar. Não havia no mundo nada que lhe tirasse a mágoa por ter sido réu em um processo.

E a esse ponto chegamos: paga-se um salário mínimo à empregada, nega-se-lhe a previdência, negam-se lhe todos os direitos, para que sobre dinheiro para o verão na praia e o inverno em Campos do Jordão. A injustiça do mundo está em privar-se de um prazer, não em espoliar quem mais necessita. 

Enquanto isso a ex-empregada dizia que nenhuma mágoa tinha do ex-patrão, que sempre fôra uma boa pessoa, e que esperava que Deus lhe multiplicasse aquele valor que ele pagaria.

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