sábado, 7 de dezembro de 2013

Tendo conhecido algumas histórias desagradáveis, que não convém contar, pus-me a indagar o que ocorre para que uma pessoa seja abandonada por todos.

Estava meio pessimista quando escrevi isso, há mais de três anos. Essas histórias mencionadas, no entanto, fizeram com que eu mudasse de idéia: ninguém se degenera da noite para o dia. Para que uma pessoa se perca é necessário um grande esforço, uma convicta entrega aos vícios, um tenaz apego ao mal.

E mesmo depois de ter-se transformado em um inseto, a pessoa, se quiser, não estará abandonada. Até certo ponto os amigos toleram e a família suporta, mas quando todos os limites foram rompidos ainda há a vastidão do mundo, com todas as suas possibilidades, com todas as esperanças que pode prover. 

Não muito longe de onde esteja, há incontáveis desconhecidos que ainda não formaram juízo algum sobre essa pessoa, e portanto nada têm contra ela. Há ainda uma enorme rede de seguridade social com seus profissionais vocacionados a ajudar sem julgar (médicos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, assistentes sociais e, ultrapassando o conceito da seguridade social, podemos incluir na lista também os defensores públicos e muitos outros). Não falta também a caridade cristã para alcançar com o amor um desamparado.

E mesmo o desamparo da família e dos amigos, a consequente dependência da caridade anônima ou do serviço público impessoal, não é um mal absoluto. Como todo castigo, serve para que a pessoa pense no que fez, conheça mais profundamente a consequência de seus atos e tenha a chance de se emendar. É claro que muitos se lamentarão como vítimas indefesas e não conseguirão adquirir a consciência necessária. Mas os que conseguirem alcançar o arrependimento estarão perdoados, pois esta é a única coisa que Deus quer.

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