sexta-feira, 6 de dezembro de 2013



Um parêntesis: coloquei alguns links no texto, é interessante abri-los, após concluída a leitura do post.

O problema dos bons alunos é que eles internalizam tudo de errado que lhes é ensinado.

Isso não tem necessariamente relação com uma memória prodigiosa ou uma inteligência ímpar. Podemos internalizar valores sem sabermos como os obtivemos --na verdade, o meio mais eficaz de inserir em alguém um valor, uma idéia, uma visão de mundo, é assim: sem que o alvo tenha ciência de que sua alma é seduzida.

Se não me engano, o Olavo certa vez contou que via, lá nos EUA, incontáveis jovenzinhos cristãos ingressando na universidade e, depois de anos, de lá saírem esquerdistas, relativistas, abortistas, anticristãos completos.

Não surpreende. Primeiro porque dificilmente tiveram em suas paróquias uma formação suficientemente sólida para resistir a tudo. O ambiente universitário no qual chegaram é repleto dessas idéias adversas, e vendo a grande disparidade (dissonância) entre seus próprios valores e o mundo que os circunda, os jovens alunos logo se sentirão desconfortáveis. Mudar de opinião é uma das formas de eliminar a dissonância: em um ambiente hostil é difícil resistir sozinho, e o ambiente e as relações que sustentavam os valores antigos estão muito longe, em casa, para cobrar a coerência. Mudar é mais fácil.

Também não se deve esquecer o efeito da aprovação e da reprovação sobre o aluno. São as notas (e para obtê-las ele mergulhará em textos contrários a seu pensamento, e não terá tempo de estudar aqueles que a esses rebatem), a aprovação social e, especialmente, a aprovação da autoridade. A autoridade (aqui, o professor) tem um efeito psicológico muito maior do que se vê à primeira vista. Sua entonação, seus trejeitos, a convicção que expressa --tudo semeia no aluno novas certezas, que não tardam a dar fruto. Ao manifestar desaprovação por algumas teses em benefício de outras, desnorteia o estudante e o guia para novos caminhos. O aluno, desejoso da aprovação pública, do reconhecimento, como todos também desejamos, em breve o seguirá.

Lembremos ainda dos efeitos da exaustão: o esgotamento físico favorece a mudança da personalidade. Atividades intelectuais intermináveis, seguidas de baladas e esportes, sem que sobre nenhum tempo para pensar, para se arrepender, para voltar atrás, completam a fórmula.

Retomando o mote do texto: mas somente os bons alunos serão as vítimas. Aqueles que não se preocupam com a aprovação pública, mas querem apenas nota suficiente para obter o diploma; os que separam um tempo para o mais puro ócio; os que não se encantam com a autoridade dos sábios; estes dificilmente sofrerão alguma mudança.

Não se luta de igual para igual com um mais forte, nem se discute com um melhor orador, se ele não estiver em busca da verdade, mas quiser apenas vencer o debate. Temos de estar atentos às ideologias que se insinuam para nós. E os católicos temos ainda de lembrar de mais uma coisa: o diabo, nosso único inimigo, é mais inteligente (porque é anjo), maneja melhor os argumentos (tentou a Cristo com a Escritura) e nos conhece melhor que nós mesmos (ele tem intuição direta das essências). Para ele é muito fácil nos manipular. Então não podemos levar as palavras dele a sério, devemos zombar ao ouvi-las.

Um comentário:

  1. William, excelentíssimo texto retratando a realidade atual, atualíssima, tão próxima de mim. Parabéns!

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