terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Dias atrás eu tentava convencer um amigo a dar uma interpretação benéfica a uma determinada resposta que recebera, e que o desagradara. Argumentos como os expostos nesse http://wmandrade.blogspot.com.br/2011/10/e-os-coracoes-tambem-nunca-vistes.html e nesse texto http://wmandrade.blogspot.com.br/2011/11/cuidais-que-para-mentir-e-para-dizer.html são excelentes, mas só persuadem quem já esteja predisposto à credulidade. Ocorreu-me então um argumento puramente pragmático, que resolvi agora compartilhar: a interpretação favorável de palavras e atos alheios, ainda que contrária às nossas cognições, acaba por semear em nós a dúvida sobre a validade da má interpretação. Semeada a dúvida, nossa mágoa é abrandada, o conflito é atenuado, o convívio social com o outro é facilitado, ficando aberta a possibilidade de o mal ser desfeito e até mesmo convertido em bem.

Diverso seria o resultado alcançado por quem se apegasse a uma má interpretação: a mágoa não se abrandaria, o conflito se acirraria, o convívio seria desagradável e a reconciliação se tornaria altamente improvável.

Desnecessário dizer que este não é um conselho a tornar-se "corno manso". Ele deve ser usado quando preenchidas algumas condições, como: 1- ser mais vantajosa a manutenção de um convívio cortês do que o conflito e o mau humor; 2- ser a outra pessoa dotada de alguma consciência suficiente para que, ainda que no longo prazo, possa reavaliar suas ações e emendar-se; 3- existir, portanto, a possibilidade de que o mal seja dissipado.

Essa é, enfim, uma forma de obter as vantagens que as pessoas que têm o talento nato para a falsidade obtêm, mas sem agir com falsidade.



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