domingo, 18 de maio de 2014

Mais um pouquinho da Eneida na tradução de Odorico Mendes

Enéias faz o elogio de Dido, por ter acolhido seus náufragos:
"[...] Ó tu, que hás só piedade
De tanto afã, que a nós de Tróia restos,
Da Grécia escárnio, em terra e mar batidos,
Falhos de tudo, exaustos, em teu reino,
Em casa, nos recolhes e associas!
Nem pagar-te as finezas dignamente
Podemos, Dido, nem os Frígios todos
Quantos pelo universo peregrinam.
Se para os bons há numes, há justiça,
Pague-te o Céu e a própria consciência.
Que século feliz, que pais ditosos
Te houveram filha? [...]"

Dido empenhara-se no acolhimento dos homens de Enéias (restos de Tróia derrotada, objeto de zombaria dos gregos), e o herói diz que nem todos os troianos que ainda peregrinavam no mundo seriam capazes de recompensá-la por sua piedade, somente o Céu poderia lhe pagar. A elogia ainda dizendo que seus pais são felizes por a terem como filha.

Ela responde:
"[...] no teto nosso entrai, guerreiros.
A transes tais forçando-me o destino,
Aqui fixou-me. Não do mal ignara,
A socorrer os míseros aprendo."

Ela reitera o convite a que os troianos fiquem naquela terra em que o destino a tinha fixado e explica que, por também ter sofrido os males da vida, tinha aprendido a socorrer os miseráveis.

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