domingo, 15 de junho de 2014

O presente nos parece eterno. Ele é a fatia do tempo com que temos contato imediato. O futuro só existe em nossos planos e sonhos. O passado só é acessível pelo esforço da memória. Mas o presente está ao alcance das mãos, impõe-se a nós --estamos mergulhados nele.
Por isso somos excessivamente apegados a ele. As coisas presentes nos parecem eternas, são tudo que temos de concreto. Se o presente é mau, é fácil se desesperar, mesmo que a experiência indique um futuro melhor.
Um presente confortável, no entanto, também não parece ser inteiramente benéfico. Isso porque nos apegamos às condições, comodidades e vantagens que usufruímos hoje e as projetamos no futuro, como se elas fossem eternas. Esquecemos que a beleza, o bom humor, o talento, a saúde, o dinheiro e tudo o mais passa.
A questão que deveria nos preocupar é: o que seremos quando estivermos privados de absolutamente tudo? Mas se o que nos cerca nos agrada, então fugimos desse questionamento, não nos enxergamos despojados, acreditamos que teremos nossos bens para sempre e vivemos em função desses bens.
Tudo que temos, no entanto, pode mesmo desaparecer em um instante. E não me refiro apenas à morte, mas também um AVC ou um acidente qualquer podem, em um segundo, tirar de nós aquilo que acreditávamos serem os nossos bens, como também podem extinguir nossa vontade, nossos desejos e nossas lembranças.
Se todas as nossas pretensões podem se esvaecer de repente, então elas são apenas fumaça, não têm substância, e não devemos pautar nossa vida por elas.

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