sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A base da civilização é a contenção de si mesmo. Conter o desejo de se apropriar dos bens do próximo, conter o desejo pela primeira gostosa que passa na frente, conter o próprio corpo dentro de um espaço que não incomode os outros, conter a vontade de xingar ou de esmurrar quando contrariado, de cantar na rua ou de aumentar o som até à estratosfera quando uma música de que se gosta está tocando, conter a vontade de ultrapassar um carro mais lento em local de ultrapassagem proibida. Isso porque não é possível haver um controle externo todo o tempo, não dá para colocar um policial a cada esquina, e outro ao lado dele para conter o primeiro. Mas nestas terras quase ninguém quer se conter. Quase todos querem que suas vontades sejam satisfeitas no exato instante em que surjam. O resultado é esse que se vê aí: cinquenta mil homicídios por ano, outras tantas mortes em acidentes de veículos, estupros incontáveis, roubos, furtos e assaltos a perder de vistas, os partidos disputando quem vai saquear qual ministério no mesmo dia em que alguns dos seus indicados são presos por saquearem a Petrobras... Enfim, o resultado é um Brasil para os brasileiros.

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