sábado, 10 de janeiro de 2015

Eu estava contando a viagem no facebook dia a dia. Domingo passado fiz o último texto, do sétimo dia. A viagem se interrompeu por conta de um acidente. Segue abaixo o texto que escrevi naquele dia:

O sétimo dia não foi muito agradável: sofri um acidente de carro. Mas não tive nenhum arranhão, o que é excelente. O carro, no entanto, coitado... Não sei se vai dar perda total, mas eu gostava dele. Se o airbag tivesse aberto eu compraria outro igual (mas o airbag não funcionou, o que me tirou a confiança no modelo). Não havia sinal de celular no local. Um líder sem-terra, que se dirigia a um acampamento próximo, me levou a um assentamento onde havia antena para que eu ligasse para a seguradora. Tomei café e comi pão de queijo numa casa do assentamento, enquanto o sem-terra e sua mulher me contavam que a fazenda invadida próxima dali era área da União e desde 1996 um sujeito, cujo nome não me lembro, famoso por ser o maior grileiro do Brasil, ocupa a área irregularmente. Ele me disse ainda que já contou 350 acidentes naquela estrada, que um companheiro havia morrido ali, e que morreu ali também um ministro japonês com sua esposa, sendo que depois disso começaram uma obra, abandonada depois das eleições. Depois do café e da conversa, me levou de volta à estrada e fiquei lá esperando o guincho. O rapaz guincho, no caminho até a base, contou que todos os dias há pelo menos um acidente gravíssima (o superlativo é dele) na estrada, desde que começaram a mexer nela (a obra ficou mesmo abandonada, não há placas na estrada, não há nem pintura das faixas). Chegando à base, mostrou vários carros e contou que eram os acidentes que ele rebocara no feriadão do ano novo (há outro guincho na cidade e mais um em outra cidade próxima, ele não era o único), e falou ainda que dentre aqueles carros havia três vítimas fatais. Voltei a Brasília com o táxi da seguradora (aliás, o dono do táxi era o rapaz do guincho, ele tem dois carros de passeio que funcionam como táxis para os acidentados). Na estrada, o motorista me contou que no mesmo local em que eu sofri o acidente outro sujeito morreu há uma semana. E conforme seguíamos ele contava: "aqui um ônibus pegou um gol", "aqui uma pajero capotou e a mulher que dirigia morreu", "aqui um carro desgovernou, uma moto estava vindo e entrou no carro, morreram o pai que dirigia, o filho de 14 no banco do carona e o motociclista de 22 anos que tinha ganhado um chevete do pai e o vendeu para comprar a moto". O motorista parou de contar os acidentes quando chegou no lugar em que ele mesmo havia atropelado uma moto com um casal, há um ou dois meses, mas ninguém ficou gravemente ferido. Agora estou em Brasília, o carro virá para cá, depois tenho que esperar a perícia da seguradora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário