sábado, 21 de março de 2015

No ônibus, saindo de Alto Parnaíba com destino a Balsas, no Maranhão, ouvi uma conversa interessantíssima. Dois velhinhos velhinhos tinham como destino final Imperatriz, não sei o que os levava lá. Os dois eram gente simples, matutos, nascidos e criados em algum povoado de Alto Parnaíba. Um deles já tinha ido a Imperatriz, o outro não. O que já conhecia a cidade contava, maravilhado, que Imperatriz era uma cidade cujo fim não se via. E contava mais, que lá se via um homem parado na rua, sem se mexer, e ao se aproximar dele é que se descobria que era de barro. Detalhe: Imperatriz não tem nem McDonald's, não é grande o suficiente para ter um. Mas imagine quanta coisa a gente não conhece que poderia nos maravilhar. Somos apenas o matuto que conhece Imperatriz... não mais que isso.

Outra conversa eu ouvi no mesmo ônibus, muito interessante. Eu estava meio dormindo, meio acordado, de modo que perdi algumas partes. Mas uma jovem, mãe de um filho, contava que o pai da criança queria pagar R$ 80,00 de pensão e, diante da expressão de que com uma pensão dessas o filho morreria de fome, teria respondido "pois que morra". Uma senhora e um senhor conversavam com a jovem, e logo ela expressou o desejo de se casar com o pai do filho dela porque acharia muito estranho o filho chamar outro homem de pai. O senhor que com ela falava disse que nisso não havia problema algum, ele mesmo criava uma menina como se fosse filha dele, e dava a ela tudo que dava à filha, porque "o menino cativa a gente". Mais adiante a jovem manifestava o desejo de casar com algum desses caminhoneiros que passam transportando a soja. Desta vez foi a senhora quem respondeu que não era boa idéia, que caminhoneiro tem uma família em cada canto. Enfim, é uma história sem começo, sem fim, sabe Deus o que vai ser dessa menina e do filho dela. Mas é uma história do tamanho da visão de mundo. O querer casar-se com o pai da criança que disse "pois que morra o filho", ou o querer casar-se com algum caminhoneiro que passa e tem famílias em todo canto, por não ter outra experiência de afeto, por não ter outro conhecimento de mundo.

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