domingo, 17 de maio de 2015

O amor à beleza, como o amor à justiça, é algo que se aprende e se exercita. O prédio da igreja, as imagens, a liturgia, a música, também fazem parte desse aprendizado, assim como tudo que é belo na criação. Aprender a amar a beleza é aprender a amar a Deus, que é a Beleza e ordenou as coisas para que sejam belas. Mas se nos acostumamos ao feio, ao desordenado, a nossa própria alma também se desordena e passa a amar errado e a rejeitar o que deveria ser amado. Se nos acostumamos ao feio, não vemos sentido no belo, que passa a ser mero desperdício e ostentação; se nos acostumamos ao injusto, os justos se tornam tolos por padecerem enquanto os injustos prosperam, e o heroísmo se transforma em sacrifício vão; se nos acostumamos ao vulgar, o trabalho feito com esmero passa a ser um desperdício de tempo; se nos acostumamos ao que é desordenado, a virtude se torna desperdício de vida e juventude. Começamos por rejeitar a beleza (estética, moral, musical, literária, litúrgica) e terminamos como os porcos que, tendo no pescoço pérolas da beleza deste mundo, ignoram e chafurdam na lama.

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