segunda-feira, 22 de junho de 2015

Eu tinha que citar A. S., na Borracharia do Negão. O mandado indicava BR *, km 594, Setor Industrial. A saída da cidade fica no km 407, então o endereço necessariamente estava errado, pois o km 594 fica depois da cidade seguinte...
Consultando o processo, vi um recibo com o número do celular do reclamado e liguei para ele, na secretaria, na frente de todos.
"A. S., da Borracharia do Negão?"
"Isso."
"Estou tentando achar a borracharia, mas não consegui. Acho que o endereço que deram está errado, diz aqui km 594. Onde é a borracharia?"
"Com quem estou falando?"
"Aqui é W., oficial de justiça da Justiça do Trabalho, seu ex-funcionário M.* entrou com um processo contra você e eu tenho que ir aí intimar você."
Nesse momento toda gente na VT começou a rir, afirmando que ele não ia responder, ia desligar e não atenderia de novo.
Enquanto os colegas riam e falavam que eu devia dizer que estava com o pneu furado, respondi a eles que não sei mentir. Mas não consegui segurar o riso e imaginei que, depois do riso, o sujeito não me responderia mesmo. Propus aos colegas que algum deles ligasse para pedir o endereço.
Nada disso. O reclamado não apenas contou onde ficava a borracharia, como não esperou que eu fosse lá cumprir o mandado, mas foi até a VT receber a citação.
Eu não tinha por que mentir ao sujeito pois não tinha motivo para acreditar que ele mentiria para mim. Falei a verdade e deu certo. Confiei nele e ele me ajudou.
Se eu mentisse uma vez e precisasse dele de novo (processo não acaba com a citação inicial, provavelmente nos veremos de novo), ele não confiaria mais em mim.

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